Foi Assim Que Conheci Jesus

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Trabalhava eu como acompanhante de uma senhora bondosa. Seu nome era Cecy. Ela morava em Icaraí, de frente para o mar. Tinha três filhas, que na época faziam faculdade; uma, terminando o curso, a outra, começando e, a terceira, já havia se formado.

Os anos foram passando e, quando a filha do meio se casou com um rapaz da Igreja Presbiteriana Catedral do Rio, não demorou e ela logo conheceu a Jesus. Aí começa a minha história. Ela se chama Ana Cristina, o esposo, Leonardo.

Eu sempre fui muito querida pela família. Todos me chamavam de “Anginha”. Da mesma forma, eles eram muito queridos por mim. Aos poucos, fui percebendo a transformação deles, sem me envolver com a opção religiosa que tinham.

Como espírita, essa situação me deixava muito desconfortável. Afinal, eu não suportava os crentes. Sempre achei que a vida que eles levavam era chata, e ainda dizia: Deus me livre ser evangélica!

Com o passar do tempo, Ana Cristina engravidou, e chegou a Isabela, que foi muito bem recebida e amada, a “Belinha” da tia Angela. Da função de acompanhante, passei a ser babá, e, a mãe, com outro jeito de viver, me orientou: “Anginha, quando for colocar Isabela para dormir, quero que coloque esse cd bem baixinho”. Eu pensei: coitada da criança… Enfim, sempre fui obediente e colocava o cd da cantora Alda Célia, cantando “Glória ao Altíssimo” e “O Poder da Oração”.

Esses momentos vivenciados ao som dessas músicas eram uma tortura para mim. Tudo o que eu queria era cantar “atirei o pau no gato” e “se essa rua, se essa rua fosse minha…”.

Após os dias de trabalho, quando eu chegava a casa, enchia a cabeça de Gabriel, meu esposo, dizendo: não quero trabalhar mais lá, vou arrumar outro emprego, não vou aguentar. Naquela casa é Deus por toda parte. Eles cismaram que tenho que ser crente, que será de mim, Gabriel?

Até que um dia, percebendo que por mais que entre nós existisse amizade, companheirismo, amor e respeito, passei a fugir o tempo todo deles, o máximo que eu podia. Isso foi acontecendo, até que em um determinado momento, Ana Cristina me encontrou na cozinha. Nessa hora, disse que me amava no amor de Cristo. Deu-me um abraço, mostrando um caderno de oração onde o meu nome era o primeiro da lista. Logo, pensei: que me ama nada. Jesus morreu, e a gente ama somente as pessoas que têm o nosso sangue. Vida que segue!

Entre tantos soninhos de Belinha, eu já havia decorado todo o cd de Alda Célia. O que fazer?

A minha vida era de muita luta, trabalhava bastante. Tinha três filhos, dois de coração (filhos de Gabriel do primeiro casamento – Gabriel e Priscila). Após quatro anos, engravidei de Raphael. Assim, todos foram criados de igual forma, com o mesmo amor e, assim, é até hoje. Os três são lindos!

Um dia, Gabriel começou a sentir dores fortes no peito, o que nos trouxe enorme preocupação. Logo, após sete anos de trabalho, foi dispensado do emprego, sem um tostão no bolso, pois a empresa faliu.

Nesse tempo, meu filho mais velho voltava para a casa da mãe biológica, depois de conviver comigo desde os sete anos. Esse fato me tocou profundamente. Foi muito difícil passar por essa fase. Depois de uma gravidez conturbada, Raphael, nasceu prematuro, assim, precisava mais da minha atenção. Em meio a tudo isso, Gabriel (pai) cada vez mais reclamava das dores.

O tempo corria, e o Natal se aproximou. Na noite do dia 24/12 socorremos Gabriel com fortes dores no peito.
Nessa época, bebíamos e fumávamos por quase 18 anos. No mês de janeiro seguinte, ele foi socorrido mais duas vezes. Nos hospitais para onde era levado, diziam sempre que o problema dele era estômago.

Um dia Gabriel estava na casa de sua mãe, em Santa Rosa, Niterói. Dali, a irmã dele me ligou, avisando que iria levá-lo ao Hospital Antônio Pedro. Ao ser atendido, diante dos exames, foi constatado que ele estava no quarto infarto, com recomendação para que ficasse internado na traumatologia.

Eu estava de férias no trabalho. Não contei para ninguém o que estava passando. Não sabia falar com Deus; fui vivendo tudo aquilo com a família de Gabriel. Escondia-me nos corredores escuros do hospital, quando dava, corria para vê-lo.

Em um desses dias bem angustiantes, Ana Cristina me encontrou entre um corredor e outro do hospital. Minha cunhada lhe havia informado tudo o que eu estava vivendo. Nesse encontro, ela, incansável, abraçada a mim, e eu cheia de medo, me sentindo sozinha, algo extraordinário aconteceu: aceitei a Cristo.

Ana Cristina me advertiu que eu não precisava passar por toda aquela situação sozinha; disse que lutaria comigo. Por ser psicóloga, tinha livre acesso a Gabriel, na traumatologia. Ela falou de Jesus para ele, o qual também aceitou a Cristo.

Gabriel passou pelo quarto infarto e, quando teve alta, saiu de manhã falando: vou procurar uma igreja de crente. Voltou falando que tinha vindo à PIB do Rocha, e havia encontrado o Pr. Willians, prometendo que nos levaria à noite (eu e Raphael). E assim fez.

Passamos a gostar muito da igreja, com pouco tempo, já estávamos bem integrados à membresia; nos batizamos. E já são quase 11 anos aqui.

Fui a primeira cristã da minha família. Hoje, somos quatro irmãos crentes, faltando apenas um aceitar a Cristo. Meus filhos também servem ao Senhor. Estou certa que haverá um grande resgate na minha família: meu pai, minha mãe, sobrinhos, primos, etc… Eu creio!

Sou fruto de um caderno de oração de uma mulher de posses, não só de recursos materiais, mas, de posses das promessas do Salvador Jesus.

Ela levou a sério as condições que adquirimos quando conhecemos a Cristo, que são inegociáveis, e, por isso, hoje, tenho a salvação. Glórias a Deus!

Hoje, sei na prática que podemos amar uns aos outros com o amor de Jesus Cristo. Estamos juntas há 16 anos. Vivemos muitas tristezas e muitas alegrias, mas sempre unidas pelo amor de Jesus.

Essa é a minha história!

Angela Machado

 

Author: adm0152

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