Água, essencial à vida

Hoje, 22 de Março, é comemorado o Dia Mundial da Água. Essa data especial foi criada por Resolução da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Indiscutivelmente, a água é considerada fonte da vida. Ninguém consegue sobreviver sem esse precioso líquido. O organismo humano e todo os demais seres viventes dependem muito desse recurso natural. Sem ele, a vida se tornaria impossível.

Na produção agrícola, a água é indispensável desde o plantio dos vegetais até à colheita dos frutos esperados. Na indústria, como fator de produção de bens de consumo, e aí por diante em tantos outros segmentos pelo mundo afora.

Quando criança, ouvia dizer que, em épocas futuras, a água viria a ser escassa. Ocorreria uma crise hídrica. De lá para cá, estudiosos no assunto vêm alertando as autoridades acerca desse preocupante problema. Nos dias presentes, estamos vivendo a realidade temida.

As informações que nos chegam diariamente dão conta que os reservatórios de água doce estão secando. A água que chega neles, dos rios e das chuvas, é em volume menor do que a água que sai para abastecer a população. Exemplo é o reservatório da Cantareira, em São Paulo. A captação chegou atingir o volume morto, ou seja, a parte mais profunda. Tem sido desolador ver as margens secas dos reservatórios com o solo rachado.

A escassez de água na Cidade de São Paulo tem constituído motivo por demais preocupante, levando o poder público a impor à população o regime de racionamento, com penalidade a quem ultrapassar os limites estabelecidos. O mesmo vem ocorrendo em outras grandes cidades brasileiras, como Belo Horizonte.

Uma senhora amiga, hoje Promotora de Justiça aposentada, com quem trabalhei por vários anos, residente em uma cidade próxima à capital paulista, está retornando a Niterói, onde morava anos passados. A escassez de água na região é o móvel principal dessa atitude.

Já se comenta em possível racionamento aqui no Grande Rio, caso as chuvas não cheguem em volumes esperados.

É certo que, em nosso país, está a maior reserva de água doce da Terra, com destaque para a Amazônia, considerada a região com a maior bacia fluvial do mundo. No entanto, uma das menos habitadas.

O problema vem-se tornando tão sério que já se oficializou a data de 22 de março para ser comemorada como o Dia Mundial da Água.

Meu sogro, já falecido, há 60 anos residia com a família no lugarejo chamado Gramal, interior do município de Itaocara. Vivia da agricultura, retirando da terra o produto para o sustento próprio e de seus dependentes. Os instrumentos de trabalho eram aqueles rudimentares, como enxada, foice, carroça com tração animal, além de outros. Plantava na ocasião certa, e ficava esperando o crescimento e a colheita desejada, o que, no entanto, nem sempre acontecia porque as chuvas não caíam. Com isso, ficava desprovido de recursos financeiros até mesmo para pagar o que havia comprado. A filha mais velha, minha esposa, com seus 10 para 11 anos, com mente mais iluminada deu um grito de alerta, convencendo os pais a deixarem a dura vida rural e partirem para o centro de uma grande cidade, a fim de que o pai pudesse ter uma nova fonte de renda mais certa e segura. Assim aconteceu.

Por varias vezes, na década de 1960, a igreja realizou retiros durante os períodos de carnaval no lugar denominado “Faraó”, interior de Cachoeiras de Macacu. O ponto atrativo principal era um rio ali existente, descendo das serras cobertas por verdejante vegetação. O nosso povo se deleitava nas águas desse rio. Pois bem, hoje, segundo tenho conhecimento, as águas ali diminuíram bastante, modificando completamente o panorama natural.

Aqui onde estamos, na minha infância Rocha, Galo Branco, Malafaia e Lindo Parque eram locais com número bem reduzido de casas. Nenhum atrativo ofereciam a não ser os seus lindos pomares de laranja e outras fruteiras tantas, entrecortados por riachos e córregos, livres de qualquer poluição. Onde está o Colégio Moura e Silva, havia uma fonte de água cristalina que emergia de uma cacimba e escoava fluentemente, sem qualquer abalo quanto à vazão em época de estiagem. Essa fonte era conhecida como “Poço do Catuta”. No meu livro, faço referência a esse marco natural e histórico do bairro.

Havia o rio do Lindo Parque, que passava entre as duas pedreiras, vindo do Engenho Pequeno, com águas translúcidas enriquecidas com peixes. Nessas águas, as pessoas se banhavam. O rio do Yamagata, no final da Avenida Maricá, perto do viaduto de Alcântara, tinha grande fluxo de águas limpas. Constituía um ponto turístico, sendo bem convidativo ao banho.

A escassez das chuvas, certamente em razão de alterações climáticas, bem assim a degradação do solo e o desmatamento das cabeceiras dos rios e córregos, na ótica daqueles que se debruçam sobre o problema constituem fator determinante para a crise prenunciada no passado e que agora nos atinge e atemoriza.

A preservação do meio ambiente é fundamental. Dependemos da natureza que nos envolve. O domínio e os cuidados da terra e de tudo que nela existe foram entregues ao homem como dádiva generosa e inefável do Criador (Gên. 1:26). Pena que o homem tem sido infiel no trato dessa tão nobre e importante missão.

Joel Pereira

Author: adm0152

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