Perdão Amplo, Geral e Irrestrito

A Bíblia Sagrada nos ensina de diferentes maneiras a respeito da vontade Deus, dos preceitos da Sua Palavra e de muitas outras questões, em relação às quais precisamos estar permanentemente atentos e dispostos a proceder da forma mais absolutamente obediente possível. São revelações, diálogos do Senhor com os seus cooperadores, testemunhos de fé e relatos fáticos, dentre tantas outras, que carregam, em seu conteúdo, muito além de meras estórias acerca de tempos idos, constituindo, antes, lâmpada para os caminhos de quem tanto precisa da benignidade de Deus (toda a humanidade).

O apóstolo Paulo relembra em sua epístola aos Gálatas qual foi a sua conduta no judaísmo, antes de converter-se ao Evangelho de Cristo, “como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava” (Gálatas 1:13). Prossegue revelando-nos seu aprofundado conhecimento e zelo à época com as tradições judaicas, bem como seu instantâneo arrebatamento (na acepção do termo) diante da vontade de Deus para o servir (Gálatas 1:16), pregando, a partir de então, aberta e corajosamente aos povos.

No mencionado excerto (Livro de Gálatas, Capítulo 1), mais especificamente nos versículos 22 a 24, Paulo nos ensina, por meio do seu testemunho, algo que muito nos deveria chamar a atenção e exortar à reflexão no tocante à conduta do povo de Deus diante de temas potencialmente tidos por polêmicos.

Assim diz a Palavra: “E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo; Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim.” (Gálatas 1:22-24).

Não parece absurdo considerar que, nos tempos atuais, temos muito mais facilmente nos deparado com testemunhos diametralmente opostos em conteúdo ao comportamento das igrejas da Judéia em relação ao apóstolo Paulo, notadamente em razão da forma como a Deus glorificavam a respeito da vida de alguém que, antes, as perseguia e assolava.

Questionamos a fé e o verdadeiro arrependimento de quem optou por realizar uma radical mudança na sua conduta, buscando um novo rumo, caminhando com Cristo, rompendo determinantemente com o mundo com o qual antes compactuava, do qual outrora fazia parte.

Perdoar é preciso. Nos aproxima das pessoas. Nos aproxima de Deus.

As escrituras nos rememoram tantas e tantas vezes acerca de tal ordenança e tão facilmente nos esquecemos de praticá-la.

Em Mateus 18:21-22 se prescreve o seguinte: “Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu:Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete.”

Marcos 11:25-26 nos ensina: “E, quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial perdoe os seus pecados. Mas, se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos céus não perdoará os seus pecados”.

Aquilo que se conhece por “liberar o perdão” não deve mesmo ser tarefa fácil. Não é. O caminho emocional a ser percorrido para que sejamos capazes de realizar tal feito não é dos mais lineares. Mas a necessidade de perdoar é em intensidade diretamente proporcional ao tamanho da mágoa que permeia o coração do homem. Talvez este seja o motivo de em tantas oportunidades mencionar a Bíblia Sagrada a sua necessidade. Deus conhece a nossa natureza. Conhece-nos integralmente.

Soa razoável, portanto, que busquemos reconhecer tal deficiência e nos reforçar diante de Deus e em Deus para espiritualmente alcançarmos o que recomenda a Palavra do Senhor, em tantas ocasiões e circunstâncias.

A oração que nos cabe encontra abrigo mais uma vez no Texto Bíblico e merece ver-se refletida a teor do Capítulo 55, Versículo 7 do Livro de Isaías: “Que o ímpio abandone o seu caminho;  e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão.”

O Apóstolo Paulo não escondia a sua condição de perseguidor da igreja do Senhor. Assim, confrontava o povo de Deus com um dilema dos mais caros a esta condição, o que até os dias atuais se reproduz, conforme ainda percebemos.

E se a história se repete naquilo que incomoda o espírito do homem em todas as épocas deste tempo, também pode se reproduzir em relação à abundância da graça e da misericórdia de Deus sobre toda a existência da humanidade.

Permaneçamos, portanto, como povo de Deus, firmes na busca da realização de tal propósito, fazendo a parte que nos cabe. Pois sabemos desde sempre que o Senhor é fiel para cumprir tudo aquilo que tem nos dado por promessa.


Vitor Ferreira

Author: adm0152

Compartilhe!