O Nosso Dezembro: Ciência à Parte

Por Vitor Ferreira

A astronomia é a ciência que se dedica ao estudo dos corpos celestes e do universo em si, de modo a situá-los no espaço, bem como explicar sua origem e movimento. Tida por muitos estudiosos como sendo a mais antiga das ciências, foi originada da observação desses elementos e conceitua o solstício de inverno, evento que ocorre mais ou menos em 21 de dezembro, como a ocasião em que o sol atinge o ponto mais ao sul em sua trajetória, coincidindo com o início do inverno no hemisfério norte do nosso planeta e do verão no hemisfério sul.

Isso explica por que as paisagens dos lugares, em certas partes do mundo, são tão díspares entre si, repercutindo em cartões postais de apelos tão antagônicos, como a encoberta de neve Praça Venceslau, em Praga, Capital da República Tcheca, e as praias do Rio de Janeiro, sempre apinhadas de gente nessa época do ano, por exemplo.

É nesse período do ano do calendário gregoriano que se costuma rememorar a pretensa data do evento a que, certamente, atribui a História a maior relevância dentre todos os demais na existência da humanidade. O Cristo, Deus que aparece como uma criança, a quem vimos como um bebê, nos braços de sua mãe, é o “primeiro” e único que podemos descrever fisicamente, diferentemente dos deuses cultuados até então, como o próprio deus sol.

Temos, portanto, um marco histórico. Mais precisamente, o momento maior da História.

Contudo, sabemos não se tratar o 25 de dezembro, dia em que se comemora o Natal, da data em que efetivamente nasceu Jesus Cristo, considerando que na própria Bíblia Sagrada (paradigma maior da história cristã) não há menção expressa ao dia em questão, havendo, ao contrário, apontamentos no sentido de que as condições climáticas do lugar (Esdras 10:9; Jeremias 36:22) em que veio ao mundo nosso Salvador, por exemplo, não convergem com o seu ambiente quando da ocasião do evento (Lucas 2:8-12).

Fundamental é ressaltar que não se trata a aparente contradição informativa de um engano textual do Livro Santo, pois, como sabido, a Bíblia não consigna taxativamente o dia do nascimento de Jesus, não cabendo, portanto, cogitar-se de qualquer paradoxo na Mensagem.

Há quem afirme que “a Igreja acolheu a data de 25 de dezembro como o dia do nascimento de Jesus Cristo porque o dia de Natal se sobreporia, assim, às celebrações do solstício de inverno e à festa de Mitra, deus da luz, que os antigos festejavam justamente nesse dia. Assim, a Igreja cristianizou essas festividades pagãs, fornecendo-lhes simbolismos cristãos e uma nova linguagem cristã.” (http://gerenciamentodotempo.com.br/a-contagem-dos-anos-na-era-crista/)

Nem mesmo a convenção da contagem dos anos, levada em consideração de acordo com o ano do nascimento de Jesus (antes de Cristo e depois de Cristo), converge com a sua vinda, pois, estabelecida em consonância com o ano da morte de Herodes, se contradisse em si própria com a certeza histórica – posterior – da morte do rei em 4 a.C.

Diante de tudo isso, fica claro que não é a comemoração do feriado que nos trará à lembrança a pessoa e a divindade de Cristo. Nem do seu nascimento, nem da sua morte (e ressurreição). Assim como não é a mobilização ocasional em favor do outro, semelhante nosso, que nos certificará a generosidade do espírito. Tampouco a religiosidade inócua nos garantirá um lugar no céu.

A vida e vinda de Jesus representa para além das convenções, além do estudo científico, além da experimentação exterior. Dialoga com a transformação efetiva do ser (humano), nos ensina sobre a nossa condição de filhos de Deus e deixa claro que, mesmo tendo vindo a este mundo (com todas as suas convenções), daqui não é, a este lugar não pertence (João 18:36) e, pelas suas burocracias, não pode ser definido nem representado. Lembremo-nos, antes, disto. Em todos os dias, meses e anos de nossas vidas.

Author: adm0152

Compartilhe!