Não querer filho é egoísmo?

Eis um assunto que tem sido objeto de questionamento crescente nos últimos tempos por parte daqueles que se debruçam no estudo da estrutura familiar. Pela ordem natural das coisas, quando um casal se forma, constituindo uma família, espera-se, como consectário natural, o advento de uma prole.

Assim sempre foi. Tanto isso é verdade, que a história bíblica mostra inúmeros exemplos de mulheres que se consideravam inferiorizadas e até discriminadas pela sociedade da época pelo fato de serem estéreis, não gerarem filho.

No mundo atual, muitos casais, que não conseguem gerar um filho pelos meios naturais, chegam a realizar o acalentado sonho, no entanto, por meio de modernas formas científicas de reprodução que enriqueceram e deram vulto à engenharia genética. Outros tantos, nem assim, somente lhes restando acolher nos braços o filho desejado pelos laços do coração.

Até aqui teci considerações sobre casais que esperam e anelam ter filho. O tema da matéria, porém, é conducente à situação oposta. Casais que não querem filho. Seria egoísmo deles?

Conheço alguns casais que firmaram o propósito de não terem filho. Espanta-lhes a realidade sombria de hoje, com tantas incertezas e  malefícios grassando pelo mundo afora. Também, inquietações pelas dificuldades múltiplas para poderem ter uma infra-estrutura mínima que possa oferecer à prole uma vida sadia, de boa educação, de presença dos pais e de um futuro seguro e de estabilidade.

Há pouco tempo passava em uma das ruas de Niterói. Estava com meu carro parado em um engarrafamento, ao lado de uma grande creche. Nessa hora, vi passando perto de mim uma senhora nova, empurrando um carrinho de bebê. Dentro dele estava uma criança de poucos meses. Caminhava em direção à creche. Isso era bem cedo.

Quantas mães, pelo fato de trabalharem fora, deixam seus filhos em creche o dia inteiro por conta de funcionários, nem sempre vocacionados para esse delicado ofício. Sei muito bem das preocupações de mães que agem assim, porque já lidei com algumas delas como minhas funcionárias.

Em um programa da TV Novo Tempo (canal 14 da Sky), vi um educador de renome da Igreja Adventista do Brasil afirmar que a orientação dada aos pais é no sentido de somente colocarem os filhos na escola a partir dos sete anos, por ser o melhor para eles. Mencionou que o ideal e que a criança permaneça até aquela idade o dia inteiro diretamente sob os cuidados dos pais, principalmente da mãe, por ser o lar o melhor local gerador de todos os ingredientes morais para a formação da personalidade da criança.

O educador reconheceu que, lamentavelmente, isso nem sempre é possível pelas lutas por que passam os pais nos dias presentes por questão de sobrevivência.   

Tenho ouvido alguns pais dizerem ser extremamente preocupante, hoje, o fato de anteverem a possibilidade de não poderem  controlar o futuro dos filhos.

Evidentemente, o que se espera de todo casal é que queira ter filho. Esse chega a ser mesmo o padrão social. A Bíblia, em muitas de suas passagens, nos leva a raciocinar assim. Em Salmos 127, verso 3, por exemplo, tem-se esta assertiva: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele dá”. A ausência de filho numa família cria um estado de ausência, um vazio.

Ouvi, há dias, um rapaz afirmar que não tem vocação para casar e nem ter filho. Ainda bem que a lucidez necessária o alcançou em tempo  de pensar e concluir nesse sentido. Seria desastroso  para todos da família, que o citado jovem eventualmente viesse a formar, se houvesse decidido por  um casamento e com filho.

Se o marido e a mulher, pelo estilo de vida que levam ou por outra razão que julgam preponderante a inviabilizar a prole,  convencionam entre si que os filhos não devem fazer parte de seu relacionamento, essa posição assumida há de ser respeitada e compreendida como uma decisão racional, a não ser que o egoísmo ou a leviandade sejam os fatores determinantes.   

Joel Pereira                                         

Author: adm0152

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