Luz Para o Nosso Caminho

A leitura da Palavra de Deus permite-nos adentrar em um campo do conhecimento tão específico que, em nenhum outro tipo de leitura, se costuma encontrar. O contato com o texto bíblico nos traz a sensação de haver-se estabelecido entre o leitor e o nosso Deus um genuíno diálogo espiritual, em que a Sua Palavra encontra sempre lugar na nossa mais íntima e profunda necessidade.

Seja de maneira misteriosa ou mesmo clara, expressa, é possível perceber que algo diferente, eventualmente inexplicável, se produz no nosso ser quando lemos o texto santo, o que certamente não se dá através da leitura de um conteúdo regular, não espiritual.

Isso nada tem a ver com desconsiderar, em absoluto, outros ramos ou fontes do conhecimento humano, para fins de aprofundamento cognitivo a respeito de certo ramo científico ou cultural, o que parece razoável ao indivíduo comum, minimamente interessado na realidade à sua volta. Afinal, conhecer o espaço ao redor pode ser útil ao próprio pregador do Evangelho, caso se vislumbre a hipótese de instrumentalizar tal realidade para difundir a Palavra de Deus, de maneira legítima, é claro.

Nesse contexto, percebemos ser possível vislumbrar no texto bíblico, por meio de abordagens bem específicas, a manifestação do conhecimento humano em vários setores ou ramos científicos, como linguagem, psicologia, história e geografia, ciências em geral e tantos outros.

Exemplo de tais considerações é o conteúdo do Capítulo 4, versículos 1 e 2, da epístola do apóstolo Paulo aos Gálatas, ao mencionar expressões usualmente abordadas no ramo jurídico e nos ensinar a respeito do funcionamento da sociedade àquela época: “Digo, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo; Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai.”

Em Gênesis 1, versículos 14 ao 18, aprendemos sobre a própria constituição físico-atmosférica da Terra, quando da sua criação por Deus: “E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom”.

Há quem diga que o indivíduo que costuma se interessar em assuntos concernentes a temas relacionados à espiritualidade, como o leitor regular da Palavra de Deus, compromete sobremaneira o seu desenvolvimento intelectual, sendo certo tratar-se a expressão ora utilizada de um eufemismo para aquilo que realmente se afirma a respeito de tal (ou tais) sujeito (ou sujeitos). Diz-se, em verdade, a nosso respeito, que o interesse que nutrimos em relação às coisas do alto reflete-nos para a sociedade como pessoas ignorantes, alienadas do mundo à volta.

Em contrapartida, usualmente ouvimos falar a respeito daqueles que se afastam voluntariamente do aprofundamento em tais assuntos como sendo indivíduos intelectualmente elevados, intangíveis em sua segurança quanto ao seu conhecimento mundano.

As idéias que se veiculam em favor de um e outro argumento não parecem, por si sós, subsistir. A uma, porque, como já percebido, a riqueza de conhecimentos (e não só o espiritual) proporcionada pela leitura da Palavra de Deus não permitiria àquele que se debruça sobre o Texto Santo permanecer na mesma condição intelectual em que antes de tal contato se encontrava. A duas, porque simplesmente isolar-se de certa fonte do conhecimento sobre a própria humanidade apenas subtrai o alcance cognitivo a ser potencialmente desenvolvido, caso outro fosse o comportamento adotado.

Percebemos, assim, que a utilidade mais óbvia e evidente à percepção de quem crê no conteúdo da Bíblia Sagrada parece, em alguma medida, resumir-se naquilo que se encontra expresso em 2 Timóteo 3:16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.”

Mas, também, em última análise, o teor da Palavra de Deus permite-nos melhorar como indivíduos, de maneira reflexa, em vários outros campos do conhecimento, acrescentando à formação de quem por ela se interessa dados e informações de inquestionável valor, em razão do que só podemos concluir que o que não nos faltam são motivos para, de maneira cada vez mais intensa e frequente, estudar as Escrituras!


Vitor Ferreira

Author: adm0152

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