Histórias de Nossas Cidades: São Gonçalo

Por Mauro Santos

Caros leitores, julgamos oportuno aproveitar este precioso espaço para publicarmos textos que relatem, de forma sucinta, a história de cidades importantes de nosso querido Brasil, começando a abordagem pelo nosso Estado do Rio de Janeiro. Daremos prioridade àquelas mais chegadas a nós. Iniciaremos, como não poderia deixar de ser, pela nossa cidade, São Gonçalo, “nome atribuído, em homenagem a um santo católico português com culto permitido pelo papa Júlio III em 24 de abril de 1551”.

O território, onde se localiza atualmente o município de São Gonçalo, começou a receber habitantes brancos em meados do século XVI. A partir de então, inicia-se o processo de ocupação populacional. Em 1579, o português Gonçalo Gonçalves recebeu terras (atuais Praia da Luz e centro de S.G), onde ergueu uma capela. No século XVIII, São Gonçalo já tinha estabelecido uma sociedade mercantil, escravista e católica. As fazendas localizadas neste lugar produziam principalmente cana de açúcar, dentre outros produtos agricolas, como frutas, hortaliças, legumes, mandioca, etc, que serviam para consumo interno e da cidade do Rio de Janeiro.

Em São Gonçalo, cerca de 30 engenhos operavam em 1860. Na década de 1870, SG já se constituía em grande arraial, com diversas agências do poder público, organizando o espaço e a vida da população. Nesse século, então, se inicia a difusão da produção cafeeira e ela é responsável pelo povoamento do planalto fluminense. Algumas mudas de café chegaram ao Brasil, vindo da Guiana Francesa. O primeiro lugar a ser plantado café foi São Gonçalo, porém o plantio não vingou devido ao tipo do solo. Apesar disso, o cultivo do café se expandiu pela Serra do Mar, indo em direção a terras mineiras e paulistas.

Tivemos em nossas terras uma fraca expansão cafeeira, mas a experiência nos trouxe benefícios, como a ampla construção de ferrovias, o que facilitou o escoamento e o recebimento de produtos. O trecho da ferrovia Porto das Caixas (em Itaboraí – cidade vizinha) até o Distrito de Neves, em São Gonçalo, foi o responsável pela formação de aglomerações humanas e vilas que utilizavam as estações de Guaxindiba, São Gonçalo e Porto da Madama.

Desde o século XVI, a freguesia de São Gonçalo era ligada administrativamente à Cidade do Rio de Janeiro, permanecendo assim até boa parte do seculo XIX, quando se tornou distrito de Niterói.

Após a instauração do regime republicano no país, em 1889, vários distritos flumineses são municipalizados. Em 22 de setembro de 1890, o distrito de São Gonçalo é emancipado politicamente e desmembrado de Niterói, através do decreto estadual nº 124. Em 1892, o decreto nº 1, de 8 de maio, suprime o município de São Gonçalo, reincorporando-o a Niterói pelo breve período de sete meses, sendo restaurado pelo decreto nº 34, de 7 de dezembro do mesmo ano. Em 1922, o decreto 1797 concede-lhe novamente foros de cidade, revogado em 1923, fazendo a cidade baixar à categoria de vila. Finalmente, em 1929, a Lei nº 2335, de 27 de dezembro, a categoria de município é concedida definitivamente.

A partir das primeiras décadas do século XX, a cidade começa a se desenvolver. A industrialização no Brasil tomou corpo nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial, quando viu a necessidade de fabricar o que antes importava.

Entre as décadas de 1920-40, São Gonçalo consolidou seu parque industrial, época em que ficou conhecida como a “Manchester” Fluminense (uma referência à cidade de Manchester, na Inglaterra, caracterizada pelo seu grande desenvolvimento industrial). As indústrias, em sua maioria, se concentravam em Neves, várias de grande porte, como a Fundição HINE, a Companhia Brasileira e Usinas Metalúrgicas, a Vidreira e a Companhia Brasileira de Fósforo. Além da concentração industrial, Neves abrigava a maior parte da população. Esta foi a região que mais recebeu investimentos da cidade.

Dentro desse periodo, foi criado o hospital de São Gonçalo, organizado pelo médico Luiz Palmier, que veio para o município combater a gripe espanhola, que assolou Niterói e São Gonçalo, em 1918 e 1919. Em 1940, foi criada a primeira escola secundária do município, o Colégio São Gonçalo. Em 1950, surgem os primeiros loteamentos da cidade, quando muitas fazendas passaram a ser divididas em bairros.

Começam a surgir na cidade diversas associações culturais, politicas, entre outras. Nesse contexto, desponta uma importante figura politica: Joaquim Lavoura. Este é eleito prefeito de SG pela primeira vez, em 1955, ficando no poder até 1959. Novamente, de 1962 até 1966, e, por fim, de 1971 a 1973.

Lavoura, assim conhecido popularmente, realizou diversas modificações na cidade: asfaltou vários bairros,ampliou o complexo hospitalar da cidade, criou diversas escolas, entre outros. Após um período, a cidade começou a perder diversas indústrias, e o fluxo populacional aumentou ainda mais. São Gonçalo atualmente se enquandra no termo “cidade dormitório”, isso porque uma grande parte da população, residente aqui, trabalha em outros municipios.

Muitos “causos’ e histórias interessantes a respeito do município poderiam ser incluídos no presente texto, porém, devido ao espaço exíguo, paro por aqui. Contudo, incentivo àqueles que desejarem maiores informações sobre o tema, consultarem as fontes relacionadas na bibliografia e as publicações por elas citadas.


Bibliografia:

  • https://www.saogoncalo.rj.gov.br/historia.php
  • http://futurosprofissionaisdahistoria.blogspot.com/2011/06/breve-resumo-sobre-historia-da-cidade.html

Author: adm0152

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