Histórias de Nossas Cidades: Itaboraí

Por Mauro Santos

Caros leitores, dando prosseguimento às histórias de cidades importantes, compartilharemos um pouco do que se conhece a respeito de nossa “vizinha”, Itaboraí, cidade natal do ilustre escritor Joaquim Manuel de Macedo, autor do célebre romance “A Moreninha”. Segue abaixo apenas uma fração da bela história dessa cidade, a qual sugiro ao leitor envidar esforços para conhecê-la mais a fundo e, para tanto, consultar as fontes relacionadas na bibliografia.

“Itaboraí, cidade histórica do Estado do Rio de Janeiro, localizada na região metropolitana, é o resultado da união de três importantes vilas do passado colonial e imperial do Brasil: Santo Antônio de Sá, São João de Itaboraí e São José Del Rey. A maior delas, a Vila de Santo Antônio de Sá (…); a Vila de São João de Itaboraí, inicialmente uma parada de tropeiros, que mais tarde se tornaria o maior produtor açucareiro da região e principal entreposto comercial ligando o norte fluminense a capital da província; e a Vila de São José Del Rey (conhecida como São Barnabé, ou Itambi), cuja região fora uma importante Missão Jesuítica entre os índios Maromomis e Tamoios que por aqui habitavam (…).

É no século XVI que se dá a ocupação dos “sertões do Rio Macacu” pelos colonizadores portugueses (…). E apesar da abertura de fazendas e engenhos de cana-de-açúcar na região, o primeiro povoamento no Recôncavo da Guanabara foi a Vila de Santo Antônio de Sá, fundada em 1697, às margens do Rio Macacu (na mesma região que hoje abriga o COMPERJ) (…). A Vila de Santo Antônio de Sá, com suas freguesias e povoados, experimentou um grande desenvolvimento econômico, parte disto em razão de sua localização, tendo em toda a região entrepostos comerciais que recebiam, via escoamento fluvial, a sua produção e a da região serrana e interior fluminense, através de seus rios como o Macacu, Casseribu e Aldeia. (…). O surgimento do povoado (Vila de São João de Itaboraí) se dá em razão da existência da parada de tropeiros na colina de Itaboraí, junto à fonte existente (…). Em alvará de 18 de janeiro de 1696 é elevada à categoria de paróquia coletiva com o título de São João de Itaboraí (…).

Os engenhos de açúcar que já existiam pela região, conforme descrito anteriormente sobre a fundação da Vila de Santo Antônio de Sá, foram os responsáveis pelo desenvolvimento econômico de Itaboraí, sendo a principal atividade econômica do vale do Macacu-Caceribu durante todo o período colonial, perpetuando até o séc. XX (…).
A Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Itamby, cujo território foi desmembrado da Vila de Sto. Antônio de Sá, é nomeada Vila de São José Del Rey por força de Alvará em 1772, sendo assim denominada para solenizar o aniversário do Príncipe Dom José de Portugal, pelo então Vice-Rei e Governador do Brasil Dom Luiz de Vasconcelos e Souza, o Marquês do Lavradio. (…).

Inicialmente, a região de Itambi era apenas uma terra de indígenas, até a chegada dos colonizadores, que lá se estabeleceram e deram o nome àquela região (…), principalmente os Jesuítas que tinham a função sagrada de ensinar a língua e a religião Católica aos nativos (…).

Na Capitania do Rio de Janeiro, os jesuítas organizaram cinco aldeias indígenas: São Lourenço (Niterói), Itingá (Itaguaí), São Pedro (Cabo Frio), São Barnabé (Itambi) e Guaratiba (Ilha do Governador). O (…) Padre José de Anchieta, que chegou na Bahia no dia 13/07/1553, e que prestou relevantes serviços a Mem de Sá, na conquista e na fundação do Rio de Janeiro, diversas vezes, esteve na aldeia de São Barnabé (Itambi) (…).

Outra região que se destacou muito foi o povoado de Porto das Caixas, surgido no início do século XVIII e que estava então ligado a Santo Antônio de Sá. Seu nome vem do fato de ter se tornado um importante entreposto comercial, responsável por todo o escoamento da produção agrícola de nossa região e do interior fluminense que chegava pelo rio Aldeia ao seu porto, tendo a produção encaixotada para transporte até a Bahia da Guanabara (…). No século XX, (…), surge em Itaboraí uma nova economia agrícola, a laranja, perdurando dos anos 20 até a década de 80. Cabe ressaltar que Itaboraí se tornou o maior produtor dessa cultura no Rio de Janeiro, e o segundo no Brasil, chegando a ser conhecida como “Terra da Laranja”. Já a arte em cerâmica esteve sempre presente na cultura e na economia do município, sendo encontrados registros entre os nossos índios, e nos próprios engenhos, que possuíam pequenas olarias para confecção em argila dos invólucros para transporte de açúcar (…).

O declínio agrícola e a construção da ponte Rio-Niterói “aceleraram o processo de urbanização em Itaboraí, que se tornara uma “cidade-dormitório”, a partir da década de 70”. O advento do megaprojeto COMPERJ produziu grande incremento econômico, porém, hoje passa por readequação e redimensionamento, permanecendo como esperança de prosperidade para a região.

De acordo com o Censo 2010 do IBGE, Itaboraí tinha uma “população de 218.008 habitantes, correspondente a 1,8% do contingente da Região Metropolitana (…) e uma área total de 430,4 quilômetros quadrados, correspondentes a 8,1% da área da Região Metropolitana. Os limites municipais, no sentido horário, são: Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Tanguá, Maricá, São Gonçalo e Baía de Guanabara”.


Bibliografia:
https://www.itaborai.rj.gov.br/conheca-nossa-historia
https://www.tce.rj.gov.br>estudosocioeconomico2016-Itaboraí
https://anpuh.org.br › uploads › anais-simposios

Author: adm0152

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