Histórias de Nossas Cidades: Campos dos Goytacazes

Por Mauro Santos

Caros leitores, voltamos a publicar textos sobre a história de cidades importantes do nosso Estado do Rio de Janeiro, priorizando aquelas mais chegadas a nós. Hoje, escreveremos sobre Campos dos Goytacazes, nome inspirado nos índios Goytacazes (termo que, trazido para o português, pode significar “corredores da mata” para uns, ou “índios nadadores, para outros).

Embora constem em Carta de Doação, datada de 28 de agosto de 1536, “as terras dos índios Goitacazes começaram a ser colonizadas pelos portugueses em 1627” (…). Cerca de 50 anos após o início de sua colonização, torna-se a Vila de São Salvador dos Campos. Em 1833, cria-se a Comarca de Campos e, “em 28 de março de 1835, a vila foi elevada à categoria de cidade com o nome de Campos dos Goytacazes, dando início ao progresso na região”. Portanto, o município de Campos está prestes a completar em março de 2020, 185 anos de existência como cidade e 343 anos desde sua formação inicial como vila.

Inicialmente, “a região progrediu com a cultura da cana-de-açúcar, que se expandiu pelos aluviões entre o Rio Paraíba do Sul e a Lagoa Feia. No século XVIII, a economia local girava exclusivamente em torno de atividades rurais. Já no século XIX, a introdução do primeiro engenho a vapor em 1830 na região – posteriormente substituídos por usinas -, apoiados pelo aparecimento da ferrovia em 1837, incrementa a circulação de pessoas e produtos. O município assume o papel de “centro ferroviário da região”, o que “trouxe  grande transformação no processo de produção de açúcar”, sendo esta a grande riqueza de Campos no séc. XIX.

Em 1875, a região contava com 245 engenhos de açúcar e, por volta do ano de 1879, foi construída a primeira usina, batizada como Usina Central do Limão. Entretanto, várias dessas antigas usinas fecharam ou foram absorvidas pelas maiores em anos recentes, concentrando-se a produção em menor número de estabelecimentos.

Com a riqueza trazida pela cana-de-açúcar, a cidade cresceu e se desenvolveu; a construção de sobrados e solares confortáveis se espalhou por todas as áreas próximas ao Rio Paraíba do Sul. O comando da vida cultural da região passou dos solares rurais para o núcleo urbano. Uma poderosa aristocracia agrária surgiu da atividade açucareira e passou a influir na política e no poder do Império.

Nomes como os do político Nilo Peçanha – que veio a tornar-se, já na República, o 7° presidente do Brasil – e do jornalista, escritor e ativista político José do Patrocínio, campistas, nascem nesse período e deixariam seus nomes marcados na história do Brasil.

Posteriormente, o café foi responsável pela prosperidade dos antigos distritos de Cardoso Moreira e Italva, atualmente desmembrados de Campos. No nordeste do município, predominou a pecuária e gado leiteiro.

Por sua arquitetura eclética, Campos é considerada um museu a céu aberto, ficando atrás só da cidade do Rio de Janeiro. O município foi palco de importantes acontecimentos: recebeu quatro vezes o imperador D. Pedro II, foi a primeira cidade da América Latina a ser dotada de luz elétrica, teve um campista na presidente da República e alguns no governo estadual.

A cidade se sobressai ainda por seus prédios históricos, o patrimônio cultural (as danças típicas como o jongo e a Mana Chica; as festas tradicionais, as bandas centenárias) e pela fabricação de dois doces tradicionais: o chuvisco e a goiabada.

Em divisão territorial datada de 1991 e confirmada em 2007, o município é constituído de 14 distritos: Campos de Goitacazes, Dores de Macabu, Ibitioca, Morangaba, Morro do Côco, Mussurepe, Santa Maria, Santo Amaro de Campos, Santo Eduardo, São Sebastião de Campos, Serrinha, Tocos, Travessão e Vila Nova de Campos.

Concluindo, “Campos é o maior município fluminense em extensão territorial, e o sexto maior do Brasil, com área aproximada de 4.032 quilômetros quadrados, com uma população estimada em 483 970 habitantes, a mais populosa cidade do interior do estado. O mar de Campos detém as maiores reservas de gás natural e petróleo do País, onde a Bacia de Campos é a principal área petrolífera explorada no território brasileiro”.


Bibliografia:

  • https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rj/campos-dos-goytacazes/historico
  • http://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2016/03/campos-rj-completa-181-anos-e-historia-e-contada-em-exposicao.html
  • https://www.inepac.rj.gov.br

Author: adm0152

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