Dízimos e Ofertas: Só Para Quem Tem Compromisso com Deus

Verifica-se atualmente uma tendência de interpretação teológica reducionista a respeito da importância do dízimo, de que tal prática não teria mais relevância e pertinência no Novo Testamento, principalmente nos dias atuais. Questiona-se o fato de, sendo Deus espírito, por que Ele teria instituído ao seu povo a ordenança de entrega de dízimos e ofertas? Defende-se o não dízimo.

Ao meditar no tema e considerando II Timóteo 2: 22-23, sinceramente, concluo não ser produtivo caminhar pela trilha da discussão, porque, na realidade, questões polêmicas nunca ajudaram o cristão a ser convicto; pelo contrário, geram contendas no seio da igreja. Caminhemos, então, pela biblicidade – a Bíblia interpretando a própria Bíblia.

Em Êxodo 23:14-19, por meio de seu porta-voz Moisés, Deus estabelece festas e, simultaneamente, diz que “ninguém aparecesse de mãos vazias perante mim” e recomenda ainda: “os primeiros frutos” ou “primícias dos frutos da vossa terra trarás à casa do Senhor”. O fiel cumprimento dessa ordenança revelaria na prática e materialmente a fidelidade do povo para com seu Deus quando entrasse em Sua presença (Êxodo 23:15). A entrega de dízimo como ato de culto foi pioneiramente levada a cabo pelo ainda Abrão (Gênesis 14:20) e secundariamenteempreendida pelo povo de Deus ao longo da sua história, conforme diversas passagens no Velho Testamento registram, contudo, não foi observada entre os povos pagãos, os quais não receberam tal privilégio.

Dízimo – ideia de quantidade exata – 10% – significa reconhecimento prático de que Deus é o Senhor de todo o universo, inclusive da vida do dizimista. Como primícias ou primeiros frutos eles tratam do que é prioridade na vida do fiel.

Já no Novo Testamento, contudo, o povo de Deus é estimulado a uma liberalidade total, de 100%, uma vida de entrega sem reservas a Deus, uma nova e mais profunda relação, na qual o que foi estabelecido no Velho não é anulado pelo Novo Concerto, conquanto cheio da graça de Cristo, o segundo nos leva à obediência, à fidelidade e ao desejo intenso de participar da obra. Por meio desta graça entendemos agora não como entendiam os fariseus, que, segundo o Senhor, dizimavam “da hortelã, do endro e do cominho” e omitiam o que havia de “mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé”, coisas que deveriam fazer “sem omitir aquelas” (Mateus 23:23). Concomitantemente, fruto de esse novo olhar, passamos a entender que se invertermos a antiga ordenança e deixarmos de separar para o Senhor as primícias, usando-as conforme nossos próprios desejos e depositarmos no altar o restante 90% significará desconsiderá-Lo como Senhor. Bom exemplo é a liberalidade dos macedônios (II Coríntios 8:1-2), que mesmo em meio à sua pobreza, insistiram em abençoar os crentes da Judéia. Foram, portanto, muito além do que estabelecia a ordenança do dízimo. Assim, como salvos e remidos por Cristo, faremos diferente deles, macedônios, ficando aquém ou deixando mesmo de praticar o dízimo em nossa vida cristã?

Já as ofertas, tanto no Velho quanto no Novo Testamento (e principalmente neste), caracterizam-se por ser espontâneas, decorrentes de um coração voluntário, da alegria da alma do ofertante (2 Coríntios 9:7). É como se pela sua oferta voluntária (vide a viúva pobre em Lucas 21:1-4) o ofertante se dirigisse a Deus de modo melhor com elas que com palavras, pois o valor da oferta não está na quantidade, mas na qualidade. Diferente do dízimo, representado por uma fração fixa, a oferta fica a critério de cada coração. No passado, dízimos e ofertas socorreram os necessitados; hoje, os recursos oriundos da entrega de dízimos e ofertas voluntárias, administrados por homens e mulheres escolhidos pelo Senhor, sustentam a igreja local, viabilizam que se faça ação social para os necessitados dentro e fora dela e suportam o trabalho missionário no país e fora dele.

Assim, diante das “coisas que vimos e ouvimos”, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta (Hebreus 12:1b). Sejamos, pois, fiéis a Deus com os bens que Ele nos confia, pois Ele sempre será fiel conosco.

Mauro Santos
Diácono

Author: adm0152

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