Brasil e o Liberalismo na Religião

Por Mauro Santos

Nesse segundo texto, prosseguimos a prospecção da formação do nosso país e, concomitantemente, os fundamentos de nosso próprio surgimento, ou seja, o fundo histórico do Movimento Batista em nossa terra, valendo-nos da visão do autor A.R. Crabtree.

“O governo liberal de D. Pedro II preparou o terreno para o estabelecimento da liberdade religiosa que surgiria no regime republicano. (…) Os princípios democráticos que agitavam a Europa desde a queda da Bastilha, exerciam sua influência em toda a América do Sul. A independência das colônias norte-americanas e o seu governo republicano despertaram a imaginação e a esperança do povo brasileiro desde o martírio de Tiradentes.

A vitória na guerra com o Paraguai consolidara o espírito nacional. Seguiu-se, então, o movimento liberal na vida política, literária e social que produziu homens como Rio Branco, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e outros.

Apesar da oposição intransigente da Igreja Católica, o liberalismo na política encerrava os princípios de liberalismo na religião. Abertas as portas à imigração, vieram para o Brasil muitos protestantes a fim de povoarem os territórios desabitados. (…) O aumento do número de protestantes vindos da Suécia e da Alemanha levantou para o governo brasileiro diversos problemas e exigiu nova legislação sobre as questões de tolerância religiosa, casamento, registro de nascimentos, cemitérios e propriedades. Antes da evangelização de brasileiros por missionários, a imigração de protestantes preparou o caminho para o desenvolvimento dum ambiente favorável ao Evangelho.

No Tratado de 1810 (Cooperação e Amizade), o governo garantiu aos ingleses residentes no Brasil o privilégio de manter cultos nas suas residências e em capelas que tivessem a aparência de residências, mas expressamente proibiu atividades missionárias entre os nacionais. Mantiveram os luteranos alemães as suas ideias religiosas pelo estabelecimento de igrejas e escolas paroquiais. Grupos destes colonos pediram ao governo brasileiro garantias para manter culto nas suas igrejas e suplicaram proteção para as famílias, na prática da sua fé. (…) Durante o longo reinado de D. Pedro II, promoveram os estadistas liberais a legislação que protegia as igrejas da perseguição. O governo imperial não só protegia os luteranos da perseguição, como garantia o salário de pastores para as colônias e fazia doação de terrenos para igrejas e escolas.

As sociedades bíblicas aproveitaram a abertura do Brasil ao comércio estrangeiro e publicaram uma grande quantidade de Bíblias e Novos Testamentos na língua portuguesa”. 

Bibliografia:

CRABTREE, A.R. – História dos Batistas no Brasil, vol. 1, cap. I, p. 44 e 45, 2ª ed., 1962, Casa Publicadora Batista.

Author: adm0152

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