A força masculina na Igreja

Durante o tempo que passei como militar da ativa, servindo em organizações militares do Exército e da Marinha, recordo-me, com nitidez, de dois exercícios que, com certeza, marcaram muito.

Embora na Marinha (particularmente no Corpo de Fuzileiros Navais) tivesse participado de várias manobras, que, por sua natureza e envergadura, exigiam resistência física e conhecimento técnico, pois via de regra consistiam no desdobramento por água e terra, o adestramento verificado no Exército, no entanto, marcou bastante minha vida, diante de particularidades que merecem menção, como explícito a seguir.

A marcha a pé de 84km, ocorrida em 1974, e a “Operação Carcará”, em 1975 (56º Batalhão de Infantaria), foram, sem dúvida, manobras que se caracterizaram não só pelo aspecto resistência física, mas, também, pela capacidade de realização do combatente, por serem exercícios típicos de tropa de infantaria.

Na marcha a pé de longo percurso, o militar deve se preocupar com detalhes relacionados ao fardamento e equipamento, bem assim ao cuidado com o corpo, especialmente com os pés, além, é claro, do preparo psicológico, de vital importância.

A “Operação Carcará” também tinha as suas singularidades. Cada combatente, ao final do exercício, receberia um diploma com os seguintes dizeres: “OPERAÇÃO CARCARÁ’: Participei, sobrevivi e venci!”

Essa marcante manobra, em resumo, consistia na concentração de toda a tropa (valor batalhão), em campo aberto, onde todos os militares, literalmente, ficariam despidos com o intuito de ser comprovado que partiriam para o exercício propriamente dito, levando consigo somente o fardamento, armamento e equipamento. Todos os demais itens, principalmente gêneros alimentícios e complemento alimentar, seriam arrecadados.

Tecnicamente falando, a tropa, ao entardecer, deveria ocupar determinada elevação coberta por mata densa, e estabelecer ali uma base de patrulha. Durante o dia, tinha-se o cuidado de não se fazer fumaça, quando da utilização de fogo. À noite, o cuidado era com luzes e clarões provocados por lanternas e fogo. Para isso, utilizava-se fogareiro à base de álcool gelatinoso e aplicavam-se conhecimentos militares adquiridos em campanha.

Cada patrulha tinha objetivos a serem conquistados que, resumindo, era a ocupação de outras bases.

Além das dificuldades de orientação à noite, norteada através do uso da bússola, o calor, durante o dia, e o frio, à noite, eram, sem dúvida, situações adversas, que minavam as condições físicas e psicológicas de cada um, sem falar na alimentação racionada oferecida, que se constituía num cardápio peculiar, como, por exemplo, por refeição: dois coelhos vivos no almoço e uma porção de sardinha seca com quiabo cru no jantar. Ah! Já ia me esquecendo também de um caneco de leite.

Essas etapas de gêneros destinavam-se a alimentação de patrulhas formadas por vinte homens.

Os meus chefes militares me ensinaram que “quando um homem pensa que todas as suas forças estão esgotadas, ele ainda tem uma reserva de quarenta por cento”. Logicamente que a referência é ao binômio capacidade/força.

O “slogan” da “Operação Carcará” me faz lembrar do Apóstolo Paulo quando ele escreve:

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
(II Tim.4:7)

O fato é que vejo os homens da Igreja Batista do Rocha armazenando uma capacidade, para atuação na obra de Deus, de quase cem por cento, ou seja, não tem aproveitado a oportunidade valiosa de trabalhar nesta causa. A Sociedade Masculina Missionária pode ser uma potência em termos de realizações. Basta tão somente que os homens da igreja decidam empregar a sua força, com afinco e denodo, ao serviço cristão.

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil foi a casa em que passei a maior parte da minha vida militar. Os fuzileiros proclamam o seu tradicional “AD SUMUS’, expressão que quer dizer “Aqui Estamos”. E nós, qual a bandeira que estamos levantando? Por que será que nas igrejas, de um modo geral (estamos falando dos batistas), as mulheres realizam um trabalho de maior grandeza e magnitude, com notáveis dedicação e entusiasmo? Ao longo dos anos, têm elas se constituído, merecidamente, na grande força das igrejas.

Homens da PIB do Rocha, já está na hora de também proclamarmos o nosso “AD SUMUS”!

Por último, prezado irmão e amigo, interprete este tema: “Os melhores são apenas bons para infantaria”.

 

Por Izaias Santos

 

Author: adm0152

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