A Corrupção é um Câncer

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O Brasil passa por um dos piores momentos em sua história, com duas grandes crises de natureza política e econômica. O governo, ao que parece, está perdendo as rédeas na administração, sem o necessário pulso e lucidez para impor medidas e ações corretas, que visem retirar o país de um iminente e caótico estado econômico.

A presidente perde, a cada dia, a sua credibilidade, com menos aceitação popular, haja vista as manifestações de ruas dos últimos dias. A inflação cresce em mola espiral, provocando aumento assustador em todas as esferas, notadamente nos supermercados.

No segmento político, a coisa está cada vez pior. Deputados e senadores vivem num permanente estado de conflito. Muitos, com suas ideologias e interesses pessoais duvidosos, mostram-se inertes e desinteressados quanto ao bem-estar público, frustrando as esperanças daqueles que deram os seus votos em confiança.

Vários políticos das duas maiores Casas Legislativas do país, que deveriam servir de paradigmas e padrões de honestidade em suas condutas, estão sendo processados criminalmente, ou na iminência de sê-lo, por desvio de comportamento, sem se levar em conta aqueles outros que já tiveram seus mandatos cassados em momentos pretéritos.

A par desse cenário sombrio e desolador, vivemos igualmente um outro problema bem sério, que tanto aflige e entristece, qual seja o da corrupção generalizada, nos últimos tempos atingindo, de forma particular e tão aguda, a maior empresa nacional, orgulho de todos nós brasileiros. A ganância chega a ser tão voraz por parte dos corruptos que eles não mais se contentam com as propinas em cifras de milhões. Vão mais além, chegando aos bilhões. Incrível!

Comenta-se que os desfalques ocasionados com a corrupção são tão vultosos que chegam a ser considerados os maiores que o mundo econômico já conheceu até O Supremo Tribunal Federal conheceu e julgou o maior processo criminal em sua história, com quase 40 réus. O denominado processo do mensalão. As sessões de julgamento, transmitidas pela TV, puderam ser vistas pelo público em geral. Os réus, em sua maioria, foram condenados e alguns cumprem pena.

Agora, outro rumoroso processo tramita na Justiça Federal de Curitiba, em decorrência da Operação “Lava-Jato”. Homens das maiores empresas privadas do Brasil, assim como diretores da Petrobras estão envolvidos em práticas criminosas, constituindo requintado esquema de corrupção para desvio de tanto dinheiro. Causa espanto aqueles que chegam a confessar a trama ilícita, com frieza e minúcias, fazendo-o para se beneficiarem com redução de eventuais sanções penais que lhes venham a ser impostas. A chamada delação premiada.

Um dos Procuradores da República que atuam na Operação “Lava-Jato”, em Curitiba, como crente batista esteve recentemente fazendo uma palestra no Seminário Teológico do Sul, na Tijuca. Falou para pastores e muitas pessoas interessadas no assunto. Evidentemente, o foco da preleção foi o rumoroso caso que ocupa a mídia brasileira.

Em meio a sua fala, o citado Procurador acentuou que a “corrupção é um câncer, e a Lava-Jato trata um tumor. O nosso problema é que o sistema é cancerígeno”.

A corrupção está impregnada no ser humano. Nasceu com o primeiro pecado. A Bíblia trata dessa perversão moral de Gênesis a Apocalipse. O texto a seguir transcrito é uma demonstração dessa assertiva: “A terra porém estava corrompida diante da face de Deus: e encheu-se a terra de violência”. (Gên. 6:11)

Em outro momento, o profeta Amós, em declaração bem incisiva, enfatiza: “Eu sei das muitas maldades e dos graves pecados que vocês cometem. Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres”. (Amós 5:12)

Enquanto existir a raça humana, teremos que conviver com a corrupção, muito embora a deploremos veementemente. Assim, o processo da Operação Lava-Jato não acabará com esse câncer. Apenas resultará em punição para os transgressores nela especificados.

Agradeço a formação moral que os meus saudosos pais me proporcionaram e que em mim foi consolidada. Minha mãe, doméstica. Meu pai, operário na construção civil, sempre no seu ardor de manter a família. Mãos calosas, dedicando-se ao pesado trabalho de carpinteiro. Naqueles idos, era comum a jornada de trabalho de segunda a sábado.

Bem criança, presenciava o meu pai chegar no sábado, à tardinha. Punha-se à mesa com a minha mãe, contando os minguados cruzeiros, fruto de seu labor da semana. Minha mãe ia fazendo uma nota de compras, com indicação do que poderia adquirir no armazém para a semana seguinte. Que apertura financeira! Quanta dificuldade! Eu, bem perto, observava tudo em silêncio, registrando na mente sobretudo a honestidade do meu pai para que nada ficasse a dever.

Nos meus nove a dez anos, com um carrinho de mão comecei a vender frutas de casa em casa, em ruas do bairro, numa época em que as mães usavam muito dar aos filhos pequenos banana prata amassada com aveia. Vendia até fiado, mas nunca deixei de receber. Com isso, contava com uns trocadinhos até para comprar algumas roupas.

Essa foi a formação que se cristalizou em meu ser e se tornará perene. Sempre abominei qualquer ato de perversão capaz de macular o caráter, como o suborno, a propina e outras ações ilícitas reprováveis opostas à justiça, ao dever, à moral. Ademais, como crentes, aprendemos na Bíblia tudo mais que há de nortear o nosso procedimento ético no meio social em que nos inserimos.

É certo que a corrupção nunca será banida do meio social; continuará existindo, portanto. No entanto, podemos arrefecê-la com a nossa vida, com o nosso exemplo, em relação àqueles com quem lidamos e nos observam.

Joel Pereira

Author: adm0152

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